Notas & Comentários – 03-03-2023 – Apresentação

Caros,

A imprensa pressupunha a prensa, a tinta, o papel, os tipos móveis. Itens que parecem banais, mas longe disso. Parece que bastaria pôr os tipos na fôrma, passar uma tinta e pressionar o papel em cima, talvez com um pano, certo? Nada disso. Gutenberg teve de encontrar o ponto ótimo de pressionar o papel, de modo que a impressão saísse uniforme, nítida, límpida. E as tintas existentes não serviam: foi preciso inventar outra, por tentativa e erro, para imprimir. A tinta não podia passar da medida, para não preencher o espaço oco de um ‘a’ ou de um ‘e’…

Tampouco a prensa existente servia. Para imprimir seus livros, Gutenberg teve de adaptar a prensa de parafuso usada para espremer a uva e a azeitona.

O papel que servia para escrever com a pena era demasiado seco para ser impresso. Gutenberg teve de umedecer o papel, mas não podia umedecer demais… nem de menos: teve de encontrar o ponto certo. Descobriu que a melhor maneira era umedecer folhas alternadas e deixá-las pressionadas por algumas horas, o suficiente para permear as outras folhas, mas não tanto que as folhas apodrecessem…

Tudo era novo; tudo era a primeira vez.

Com razão, Gutenberg queria se beneficiar de sua invenção, mas naquela época não havia um sistema de patentes. A única maneira de preservar as descobertas era mantê-las em segredo o mais possível. Mas havia os empregados, havia os sócios. A excitação e o maravilhamento da imprensa foram uma explosão que conquistou a Europa. A imprensa se espalhou por meio de gráficos alemães que se instalavam nas cidades do Velho Continente. Pela primeira vez, a Alemanha foi o centro de uma tremenda inovação: e nunca mais deixaria de ser. Duas das excelências da Alemanha já estavam ali, na invenção de Gutenberg: a mecânica e a química.

A rapidez dos acontecimentos sequer permitiu dar nome mais apropriado às coisas. Um nome de radical grego, p. ex. Assim, a reles prensa de parafuso, que tinha a singela função de espremer uvas e olivas, deu o nome à tecnologia que mudaria a história: a imprensa – la prensa, la presse, the press.

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