Notas & Comentários – 30-05-2025 – Apresentação

Caros,

Concluiremos, agora, as Notas sobre as mães da família Noailles iniciadas na semana anterior.

As três senhoras da família Noailles estavam, pois, presas na Conciergerie, em Paris. A Duquesa d’Ayen ainda tinha um relógio, a única joia que lhe restava, e queria deixar para os netos. Mas ninguém aceitou recebê-lo, com medo de retaliação das autoridades: todos os bens de um condenado pertenciam ao Estado. Também a Viscondessa de Noailles queria deixar aos filhos uma carteira vazia, e uma mecha de seus cabelos: ninguém tampouco aceitou a tarefa. Que coisa. Apesar do slogan, a Revolução Francesa não cultivava a Fraternité.

Porém o que mais impressiona nesses gestos é a preocupação da Duquesa d’Ayen, mãe da Viscondessa de Noailles, ao perceber que sua filha não descansava. Passou a noite exortando, insistindo para a filha descansar. A maior preocupação da mãe não era com a morte delas todas no dia seguinte, era – só mãe mesmo! – era que a filha não descansava, não dormia… Mãe é aquele amor inefável que acha que tem de cuidar, ninar os filhos por toda a vida, inclusive na hora da morte.

A viscondessa de Noailles sabia que elas três certamente iam morrer no dia seguinte. Logo, era importante preparar-se para a morte. Mas a Duquesa d’Ayen sendo, realmente, mãe: queria que a filha dormisse, descansasse:

– “Mãe, não vale a pena dormir tão perto da eternidade”.

Melhor se preparar bem para a Vida Eterna. E a hora da morte é aquele momento definidor da eternidade.

E lá partiram elas nas carroças para a guilhotina. Um padre amigo da família havia se comprometido a dar a absolvição a elas no caminho, da calçada, já que a Revolução não admitia a entrada de padres na prisão para os últimos sacramentos. Haviam combinado que ele estaria usando uma roupa de determinada cor e feição, para que elas o reconhecessem, pois a Revolução proibira o uso de batina. E elas o viram, com imensa alegria. O padre deu o sinal que haviam combinado e a Duquesa d’Ayen e sua filha se ajoelharam na carroça. De longe, o padre deu a absolvição condicional e as abençoou antes que as carroças seguissem adiante.

A pobre Viscondessa de Noailles viu sua avó e sua mãe serem decapitadas. As três senhoras foram enterradas na mesma vala comum, junto a outros 1.306 supliciados.

É inescapável a pergunta: – Por que matar essas mulheres, que nada fizeram contra a Revolução Francesa? Na verdade, a Revolução abriu o precedente para as matanças em massa, com aparência de legalidade, com base no nascimento: na raça ou na classe. Depois, Stalin e Hiltler só copiaram o modelo e industrializaram a morte.

Boa semana,
Sávio.