Notas & Comentários – 06-06-2025

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O amor de Maximiliano: Só vou falar do Imperador Maximiliano, um pouco, por causa da lembrança que ele teve de sua mãe diante do pelotão de fuzilamento. E aqui concluo a sequência de Notas em homenagem às Mães: Santa Mônica, a mãe de Santo Agostinho; as mães da família Noailles; a mãe do Imperador Maximiliano.

A vida de Ferdinand Maximilian Joseph Maria ou Maximiliano de Habsburgo-Lorena (1832 – 67) foi uma tragédia. Irmão do Imperador austro-húngaro Francisco José, e futuro Imperador do México, Maximiliano tinha muitos elementos para ser feliz, mas não.

Tendo conhecido a princesa D. Maria Amélia de Bragança ao lado), filha de D. Pedro I e D. Amélia de Leuchtenberg, ele pensou em casar-se com ela, por amor. Mas D. Maria Amélia faleceu precocemente, em 1853. Em sinal de luto, Maximiliano passou a usar um anel contendo um cacho de cabelo da falecida princesa.

Em 1857, Maximiliano contraiu matrimônio com Carlota da Bélgica, a única filha do rei Leopoldo I da Bélgica.

O casamento, parece, ocorreu mais por interesses econômicos, pois ele precisava urgentemente de recursos para pagar os custos da construção do espetacular Castelo de Miramare em Trieste (acima), na costa do mar Adriático. O dote de Carlota ajudou muito.

 

O Imperador Maximiliano condenado à morte: O México disse que não pagaria sua dívida externa. Corria o ano de 1861. Inglaterra, França e Espanha, os credores, resolvem invadir o mau pagador, transformam o México novamente em um império e entronizam Maximiliano de Áustria como imperador. Muitos mexicanos apoiavam a monarquia.

Por força da Doutrina Monroe, os EUA nunca reconheceram o governo Maximiliano e, com o fim da Guerra Civil americana e com a retirada das tropas francesas, que eram o maior amparo do Imperador, a situação do Imperador ficou insustentável.

Abandonado pelos franceses e traído por um general mexicano, Maximiliano perdeu a guerra e caiu prisioneiro dos rebeldes mexicanos de Benito Juarez, que o condenou à morte. Foi fuzilado em 19 de junho de 1867. Morreu gritando “Viva México”. Tinha apenas 35 anos.

À esquerda, Maximiliano, por Franz Xaver Winterhalter (1864), o pintor da realeza, nobreza e alta aristocracia européia.

Era uma glória ser retratado por Winterhalter.

 

O Fuzilamento de Maximiliano: O impressionista Manet, um republicano, pintou o pelotão mexicano de fuzilamento usando o uniforme do exército francês, visto que Napoleão III abandonara Maximiliano. Na verdade, Napoleão III pediu que Maximiliano se retirasse do México, mas ele achou que podia se sustentar…

A esposa de Maximiliano, a imperatriz Carlota, que amava aquela suave música La Paloma ( https://www.youtube.com/watch?v=R5L1UAGow3k ), tinha ido à Europa buscar apoio para o marido, mas nada conseguiu. Ficou louca e morreu 60 anos depois do marido. A loucura muitas vezes torna os loucos longevos. Maximiliano e Carlota não tiveram descendência.

 

Na hora do fuzilamento, Maximiliano se lembra da Mãe: Na verdade, só recordamos essa história toda para falar do último desejo do Imperador Maximiliano, antes de ser fuzilado:

– “Atirem no peito, não no rosto, para que minha mãe possa reconhecer meu corpo”.

Sua mãe era Sofia, mãe de dois imperadores: Maximiliano, do México, e Francisco José da Áustria-Hungria. Ela retirou-se da vida pública após a execução de Maximiliano, da qual nunca se recuperou. Morreu em 1872, cinco anos após o filho.

Mãe é mãe. Mesmo na tragédia. Mesmo no momento derradeiro. Sempre. Como disse, tempos atrás, Claúdia, com absoluta precisão: “Mão não devia morrer”.

Mãe é o maior bem da terra. A gente às vezes só se dá conta tarde demais, após perder a mãe. E percebe a enorme falta, a saudade infinita de um bem infinito.