Notas & Comentários – 18-07-2025

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Alexandre Freire no Café de Paris: Escrevi há poucos dias sobre o episódio do Presidente Guerreiro no Café de Paris.
Guerreiro cometeu o solecismo de adicionar farofa, levada do Brasil, ao famoso Entrecôte Café de Paris. Eis que, por coincidência…

Eis que meu amigo, o Conselheiro Alexandre Freire, grande intelectual, jantou no Café de Paris, Genève, no domingo passado (6.7.25). Alexandre me disse, brincando: “Com o devido respeito ao nosso saudoso Presidente Guerreiro, a farinha é uma extravagância…”.

 

A Anatel e a Política: Na medida em que as vagas não preenchidas de Conselheiro da Anatel vão se avolumando, ficam patentes alguns fatos que não deviam ser:

– A pouca importância (ou utilidade) da Anatel para os políticos;

– A crescente carga de responsabilidade que recai sobre os conselheiros que permanecem.

A Anatel pode parecer expletiva para os políticos, mas é a Agência fundamental para usufruto dos dividendos sociais da Era Digital.

Bem, agora em novembro abre-se mais uma vaga, com o término do mandato do Cons. Vicente Aquino. Inaceitável tamanho descaso com a Agência que sustenta a Era Digital.

 

As perspectivas da Anatel: Todas as Agências Reguladoras são importantes. E importantes em vários aspectos.

Antes delas, os serviços prestados aos cidadãos, as atividades desenvolvidas para fiscalização, as disposições para cuidados de saúde, a defesa da competição, etc., eram exercidas, direta ou indiretamente, pelos Ministérios, que nomeavam e substituíam as pessoas responsáveis por esses temas.

Havia um problema muito sério, entretanto, de qualificação da mão de obra no Poder Executivo. As Agências Reguladoras resolveram esse problema.

 

Os cisnes e os patos: Antes das Agências Reguladoras, a elite do serviço público estava concentrada no Itamaraty.

O Palácio do Itamaraty (imagem abaixo) no Rio de Janeiro foi construído pelo Conde de Itamaraty, que nele residiu até sua morte em 1883. Com a República, tornou-se sede do Poder Executivo, de 1889 a 1898. Depois, lá se instalou o Ministério das Relações Exteriores até 1970, quando foi transferido para Brasília.

O Embaixador, grande escritor e grande africanista, Alberto da Costa e Silva conta que os funcionários do Itamaraty se consideravam (e eram) a nata do funcionalismo público: eles, do Itamaraty, a nata; os demais, bem… eram os demais. Eles expressavam isso assim:

“Nós somos os cisnes, eles são os patos.

 

O Itamaraty e a intelectualidade brasileira: É impressionante a quantidade (e qualidade) de escritores, historiadores, etc., oriundos do Itamaraty. Espero ter ocasião de discorrer sobre isso com mais calma no futuro. Mas vêm imediatamente à memória alguns nomes célebres que passaram pelo Itamaraty: Joaquim Nabuco, Barão do Rio Branco, Afonso Arinos, Aluísio Azevedo, Guimarães Rosa, Vinicius de Moraes, Graça Aranha Ronald de Carvalho, João Cabral de Melo Neto, Oliveira Lima, Maurício Nabuco, Antônio Houaiss, Evaldo Cabral e Mello …

 

Os cisnes – a fidelidade após a morte? Diz-se que os casais de cisnes seriam monogâmicos, e que rejeitam outro cisne mesmo após a morte de um deles. Lembrei-me do tocante soneto de Júlio Salusse:

A vida, manso lago azul algumas
Vezes, algumas vezes mar fremente,
Tem sido para nós constantemente
Um lago azul sem ondas, sem espumas.

Sobre ele, quando, desfazendo as brumas
Matinais, rompe um sol vermelho e quente,
Nós dois vagamos indolentemente,
Como dois cisnes de alvacentas plumas.

Um dia um cisne morrerá, por certo:
Quando chegar esse momento incerto,
No lago, onde talvez a água se tisne,

Que o cisne vivo, cheio de saudade,
Nunca mais cante, nem sozinho nade,
Nem nade nunca ao lado de outro cisne