Caros,
Politicagens e politiqueiros: um mal contínuo na história.
Os maiores corruptos da Revolução Francesa (e Diretório, e Império, e Restauração) foram Talleyrand (o maior), Barras (presidente do Diretório) e Fouché (chefe de polícia).
O chamado escândalo XYZ foi grande demais e feio demais: Talleyrand, Ministro das Relações Exteriores, queria um “mimo” para receber uma delegação dos EUA enviada à França para pedir indenização pelo apresamento de um navio americano pela marinha francesa, apesar da neutralidade dos EUA. Isso tudo depois de Talleyrand ter sido refugiado nos EUA na fase do Terror da Revolução.
Talleyrand teve de pedir missão, antes que seus inimigos conseguissem demiti-lo. Saiu, assim, em julho de 1799. Mas voltou em novembro de 1799, após o Golpe do Dezoito Brumário… Como assim? Claro, Talleyrand foi um dos conspiradores do Dix-huit Brumaire , que derrubou o Diretório, que o empregara como Ministro, e instituiu o Consulado, que o nomearia Ministro de novo…
Ora, quem comandava o Diretório era Paul François Jean Nicolas, Visconde de Barras. Foi dada a Talleyrand uma enorme quantia de dinheiro para convencer Barras a não resistir ao novo regime (o Consulado) instituído pelo Golpe do Dezoito Brumário. Ora, Barras não resistiu, e surpreendentemente não pediu suborno para desistir: mas Talleyrand, bem… Talleyrand ficou com o dinheiro que seria usado para o suborno – dois milhões de francos…
Talleyrand – demitido e renomeado…: Política sempre teve essas coisas.
O escândalo XYZ foi grande demais e feio demais: Talleyrand, Ministro das Relações Exteriores, queria um “agrado” como pré- condição para receber uma representação dos EUA que pedia indenização pelo apresamento de um navio americano pela marinha francesa, em desrespeito à neutralidade dos EUA. Isso tudo, apesar de Talleyrand ter se refugiado nos EUA para fugir do Terror e do Grande Terror da Revolução Francesa. Talleyrand teve de pedir demissão, antes que seus inimigos conseguissem demiti-lo.
Saiu, assim, em julho de 1799. Mas voltou em novembro de 1799, com o Golpe do Dezoito Brumário… Como assim?
Simples: Talleyrand foi um dos conspiradores do Dix-huit Brumaire, que derrubou o Diretório, que o empregara como Ministro, e instituiu o Consulado, que o nomearia Ministro de novo…
Talleyrand e Barras: Ora, quem comandava o Diretório era Paul François Jean Nicolas, Visconde de Barras (pronuncia-se Barrás). Foi dada a Talleyrand uma enorme quantia de dinheiro para convencer Barras a não resistir ao novo regime, o Consulado. Ora, Barras não resistiu, não pediu suborno para desistir: mas Talleyrand… bem, Talleyrand ficou com o dinheiro (dois milhões de francos)…
A corrupção: Na Revolução Francesa, as oportunidades de enriquecimento ilícito e de roubo puro e simples eram imensas: com o confisco de todos os bens da Igreja (catedrais, igrejas, capelas, monastérios, alfaias sacras); leilão desses bens que podiam ser pagos com moeda podre (os assignats); confisco dos bens dos emigrantes, daqueles que fugiram para não morrer; confisco dos bens dos que eram guilhotinados… E na era napoleônica, o Imperador podia dispor livremente de todas as receitas obtidas nos países conquistados, o que era imensurável.
Barras: A corrupção, no período revolucionário, pelo volume e pela duração, era coisa sem precedentes na história. Abundavam, pois, os corruptos. Barras era um deles: não o maior, lugar reservado a Talleyrand. Fouché, o chefe de polícia em vários governos, era outro membro proeminente dessa laia. Os três, espertos, conseguiram sobreviver ao Terror, ao Grande Terror, ao Diretório, ao Consulado, ao Império e à Restauração…
Foi por acaso que Barras presenciou a tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789. O até então Visconde de Barras não tinha ideias políticas firmes, mas era oportunista o suficiente para cavalgar um cavalo selado que passava. Ingressou na Maçonaria, depois no Clube dos Jacobinos, e na política como republicano. Barras, claro, votou a morte do Rei, guilhotinado em 21 de janeiro de 1793.
Conspirar e trair era parte da corrupção. Barras encarregou seu amigo, o próspero empresário Christophe Potter, duas vezes, em 1796 e 1797, de uma negociação secreta com a Inglaterra para restabelecer a monarquia francesa em troca de uma grande soma (15 milhões de francos). Os ingleses não levaram a proposta sério.
Barras e as anedotas: Com sua vida movimentada e sua colorida personalidade provençal, o personagem Paul Barras se prestava bastante a anedotas e lendas. Bem, ele era primo do famigerado Marquês de Sade, junto a quem esteve preso algum tempo…
Barras era conhecido nos salões parisienses por gostar de “cercar- se de mulheres bonitas e espirituosas”. É ele quem facilita o casamento, do qual será testemunha, entre Josefina, que fora sua amante, e Napoleão, que se apaixonou loucamente por ela. Ele é em particular o grande amigo de Thérésa Cabarrus, conhecida como Madame Tallien e como “a Senhora do Termidor” porque pressionou seu então amante, o convencional Tallien, a participar da trama para derrubar (e guilhotinar) Robespierre.
Madame Tallien fazia as vezes de esposa de Barras e recebia os convidados da casa dele, tanto que desta vez foi apelidada de “a Rainha do Diretório”.
Ou seja, Barras teve muita proximidade com as duas mulheres mais notáveis do final do Grande Terror, e durante o Diretório e até o advento do Consulado.
Barras e seu castelo: Entre 1796 e 1797, Barras foi proprietário do Château de Bel-Air em Suresnes, onde recebeu amigos (“amigos” que o derrubaram) como Bonaparte e Talleyrand.
Durante o período do Diretório (1795-1799), as roupas oficiais das autoridades foram desenhadas principalmente por Jacques-Louis David, o famosíssimo pintor neoclássico que se tornou o principal designer de roupas e cerimônias da República Francesa (e do Império). A imagem de Barras ao lado é uma gravura colorida a partir de um desenho de Hilaire Le Dru (1769-1840).
Esses trajes eram bastante ornamentados e teatrais, num estilo inspirado na antiguidade clássica (seguindo o gosto neoclássico da época), com casacos bordados em ouro, plumas nos chapéus, faixas e insígnias específicas
Nomes: Durante o período revolucionário, vários municípios mudaram de nome, às vezes para homenagens precipitadas (e um pouco ridículas). Tendo a comuna de Saint-Maximin adotado o nome de Maratona, a de Saint-Raphaël, vizinha, decidiu autodenominar-se “Barrathon”, argumentando que se os seus vizinhos homenageavam a Marat (Marat-thon), faziam o mesmo com Barras (Barras-thon)…
Essas homenagens muito rápidas a pessoas vivas, ainda que com feitos percebidos como notáveis (bons ou maus), são sempre arriscadas, e quase sempre efêmeras: os antigos nomes voltaram. E o líder radical Marat, que havia sido enterrado no Panthéon, foi despanteonizado pela própria Revolução Francesa, que descobriu facetas desagradáveis do ex-herói.