Notas & Comentários – 12-09-2025 – Apresentação

Caros,

Em 1803, Talleyrand adquiriu o belíssimo Château de Valençay: era um local particularmente apropriado para receber dignitários estrangeiros, e Talleyrand fez dele sua principal residência até a sua morte em 1838. Lá ele empregou o renomado chef francês Carême, o primeiro reconhecido não como cozinheiro, mas como chef de cuisine, e mais famoso Chef da história, cognominado “le Chef des Rois, et le roi des chefs“.

Talleyrand tinha também um Hôtel Particulier em Paris, o Hôtel de Saint-Florentin, situado na Place de la Concorde, que ele adquiriu em 1812. Esse belo palácio foi vendido, em 1838, a nada menos do que o Barão Rothschild, então o homem mais rico da França… Atualmente, o Hôtel de Saint-Florentin é a Embaixada dos Estados Unidos.

No Hôtel Saint-Florentin, em 1814, Talleyrand recebeu os vencedores de Napoleão: o Czar Alexandre I da Rússia, o Rei da Prússia, Frederico Guilherme III, o Imperador Francisco I, da Áustria, e o Duque de Wellington, para negociar a paz na Europa e a restauração da monarquia dos Bourbons na França.

Após suas infinitas transgressões religiosas, morais e políticas, aproximando-se a hora de deixar este mundo, Talleyrand começou a planejar seu retorno à Igreja. Ele, o grande traidor da Igreja na Revolução francesa; ele, que, sendo o Administrador dos bens da Igreja na França, anunciou que sabia como resolver o problema financeiro do país: fácil, bastava tomar os bens da Igreja …

Mas… a Igreja vai acolher Le Diable? Aquele que a traiu tantas vezes e de forma tão ignominiosa? Vai. Vai, pois, como dizia Chesterton, a Igreja Católica é a única instituição que sai em busca dos que erraram, dos que cometeram crimes, não para castigar, mas para perdoar o penitente.

O padre Félix Dupanloup assistiu Talleyrand em suas últimas horas: Talleyrand se confessou e recebeu a Extrema-Unção. Não dá para trapacear na hora da morte; não dá para arriscar perder a vida eterna.

Talleyrand assinou, na presença desse padre, uma declaração solene na qual repudiava abertamente “os grandes erros que… perturbaram e afligiram a Igreja, e nos quais ele próprio teve a infelicidade de cair”.

Abraços,

Sávio.