Notas & Comentários – 19-09-2025 – Apresentação

Caros,

Após havermos falado em outras Notas sobre o Service à la Russe, que ousou suplantar o Service à la Française, abordaremos outros mistérios russos. A questão é antiga. Churchill:

A Rússia é uma charada envolta em um mistério dentro de um enigma.

Esta famosa frase é de Winston Churchill e foi dita em 1939.

A Rússia tentou se europeizar: até onde conseguiu? Certamente tinha uma mentalidade filo-europeia.

Catarina II da Rússia (Catarina, “a Grande”) comprou a biblioteca de Voltaire em 1778, logo após a morte do filósofo francês. Os monarcas iluministas gostavam de ser chamados de “Grande: Catarina a Grande, da Rússia, Frederico Guilherme o Grande, da Prússia… E adoravam parecer amigos dos filósofos iluministas, gostavam dessa “amizade” (um pouco cara) que lhes podia trazer prestígio.

Catarina, a Grande, pagou 30.000 libras francesas pela biblioteca de Voltaire, que incluía cerca de 6.900 volumes. Ela também adquiriu os manuscritos pessoais de Voltaire, mas a Imperatriz permitiu que a biblioteca permanecesse em Ferney (Castelo de Voltaire na fronteira entre França e Genebra) durante a vida da sobrinha dele, Madame Denis. Somente em 1779 a coleção foi efetivamente transportada para São Petersburgo.

Catarina também comprou a biblioteca de Diderot em 1765, mas permitiu que ele a continuasse usando até sua morte, pagando-lhe ainda um salário como “bibliotecário” de sua própria coleção!

Talvez se pudesse dizer que o cartão de apresentação para a Rússia entrar na civilização europeia se comporia de itens assim:

– seu modo elegante e relativamente prático de servir à mesa;

– a literatura (Tolstoi, Dostoieveski…).

– a música (Tchaikovsky…) e, claro, o ballet;

Curioso observar que nunca se impôs na Europa um modo japonês ou indiano, p. ex., de servir à mesa; tampouco, ninguém toca ou canta ou dança a música desses países. Nem incorporou a literatura desses países.

Mas… basta?

Abraços,

Sávio.