Notas & Comentários – 26-09-2025

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Os Mistérios da Rússia – guerras napoleônicas: Os russos se mostraram capazes de sacrifícios profundos pela pátria, ainda que às vezes não tivessem muitas opções.

Quando Napoleão invadiu a Rússia, em 1812, com 600.000 homens, tudo parecia perdido, mas não. Os russos foram recuando quase sem dar combate, destruindo ou levando consigo tudo que pudesse ser útil ao inimigo – comida, forragem, abrigo. Isso forçou a Grande Armée a carregar suprimentos por linhas de comunicação cada vez mais extensas e tênues.

As enormes distâncias russas esgotaram os recursos franceses. A Grande Armée teve que percorrer mais de 1.000 km até Moscou, com linhas de suprimento impossíveis de manter. Bem, faltavam alguns anos para a invenção do trem…

Quando Napoleão finalmente chegou a Moscou, encontrou a cidade praticamente abandonada e logo depois devastada por incêndios. Não conseguiu os suprimentos nem a capitulação que esperava. E aí Napoleão teve de se retirar.

Embora Napoleão tenha iniciado a retirada de Moscou antes do rigoroso inverno, o frio extremo (que chegou a -30°C) devastou suas tropas mal equipadas para aquele clima. Muitos soldados morreram congelados ou perderam membros por congelamento.

Além do exército regular, camponeses russos e cossacos atacavam constantemente os franceses em retirada, capturando soldados isolados e destruindo suprimentos.

Ou seja, os russos sofreram na própria pele, arrasaram suas terras, queimaram Moscou, mas derrotaram o invencível Napoleão.

 

Os Mistérios da Rússia – a guerra contra o nazismo: Contra Hitler há semelhanças e diferenças. Contra Napoleão foram meses, contra Hitler, anos. Permaneciam as distâncias, permanecia o inverno, mas havia o trem, o avião, o caminhão para facilitar o aspecto logístico. Napoleão e Hitler esperavam uma vitória rápida. Hitler, após derrotar a França em 40 dias, achava que a Rússia cairia fácil. Não caiu.

Outra diferença: o apoio dos aliados, que ajudaram maciçamente os russos com armas, munição, alimentos, caminhões, etc.

No fundo, porém, havia a determinação russa de lutar até o fim: era uma guerra de aniquilamento, diferente das guerras napoleônicas.

Segundo o grande historiador militar Victor Davis Hanson, de cada 4 soldados alemães mortos na II Guerra Mundial, 3 morreram na Frente Russa. Ou seja, 5 milhões de alemães morreram combatendo os soviéticos. Ao final, entre civis e militares, a União Soviética contou 27 milhões de mortos. Uma imensa catástrofe.

 

Socialismo soviético – a visão de Churchill: Quando estourou a guerra civil na Rússia czarista, Churchill quis enviar tropas britânicas para apoiar os “brancos” contra os “vermelhos”, mas o Reino Unido estava exausto por causa de 1ª Guerra Mundial, e a ideia de Churchill não vingou.

Churchill:

Socialism is a philosophy of failure, the creed of ignorance, and the gospel of envy; its inherent virtue is the equal sharing of misery.

O socialismo é uma filosofia do fracasso, o credo da ignorância e o evangelho da inveja; sua virtude inerente é o compartilhamento igualitário de miséria.

Dito de outra forma:

“O vício inerente ao capitalismo é a partilha desigual das riquezas; a virtude inerente ao socialismo é a partilha igualitária das misérias.”

The inherent vice of capitalism is the unequal sharing of blessings; the inherent virtue of socialism is the equal sharing of miseries.

 

Carême – um oxímoro ? Para terminar esta série de Notas sobre o Serviço à Russa, vamos falar um pouquinho do criador da Gastronomia, Antonin Carême.

Não é curioso, para o gênio da gastronomia, portar um nome (Carême) que evoca o tempo das refeições magras, penitências – Quaresma? Toda sua vida, ele fez desmentir esse sobrenome que marcava a pobreza de sua família. Antonin tinha apenas 8 anos quando seu pai, miserável trabalhador braçal, o abandonou nas ruas parisienses, em plena Revolução, julgando que ele era o único de seus 14 filhos capaz de se virar sozinho. Ele que, criança, não comia o que queria, acabará servindo uma plêiade de soberanos e príncipes europeus que disputavam seus serviços. “O rei dos chefs e o chef dos Reis”, dizia-se então. Ele morre em 12 de janeiro de 1833, aos 48 anos, envenenado pela fumaça tóxica do carvão que inalou toda sua vida.

 

O chapéu do Chef, La Toque – uma coroa?: Antes de Carême, os cozinheiros usavam uma cobertura de algodão para a cabeça que pendia molemente, como um vulgar gorro de dormir, uma reles touca. Não era coisa digna da alta gastronomia, julgava Carême.

Em 1821 em Viena, no auge de sua glória, Carême se põe a serviço de Lord Stewart, embaixador da Inglaterra na corte da Áustria. É diante dele que, numa bela manhã de 1821, Carême se apresenta usando uma toque branca, que ficou ereta graças a um pedaço de papelão. Carême, apaixonado por arquitetura quer que seu chapéu se eleve como essas clássicas colunas coríntias que tanto admira. Questão de estética e dignidade mais que de higiene, justifica ele: “nosso gorro comum nos aproximava demais do estado de um doente convalescente”.