Notas & Comentários – 20-06-2025 – Apresentação

Caros,

Talleyrand é o arquétipo de maus políticos e maus homens públicos. Ontem e hoje.

Pela mentira, pela dissimulação, pela amoralidade e pelo cinismo, Talleyrand atravessou muitos regimes sucessivos, inimigos cada um do regime anterior, sempre no topo, sempre solícito e promovendo o novo regime, para o qual conspirara e contra o qual iria conspirar oportunamente.

Como permanecer no topo, sempre**?** Pelo método de Talleyrand: mentindo e traindo. Ele traiu tudo e a todos, começando pela fé que pareceu professar, e a Igreja a que deveria servir: foi ele quem propôs que a Revolução Francesa tomasse os bens da Igreja para financiar o tremendo déficit do Estado.

Talleyrand ocupou cargos de alto poder político durante toda sua vida e em todos os regimes que se foram sucedendo na França: Deputado dos Estados Gerais sob o Antigo Regime (representando o Clero, que ele traiu); Presidente da Assembleia Nacional e Embaixador durante a Revolução Francesa (quando deu início a seus atos de imensa corrupção); ajudou a derrubar o Rei  (sendo dele servidor) e aderiu à República (a quem passou a servir, para trair mais tarde); votou a morte do seu senhor, sua última traição ao seu Rei Luís XVI; Ministro das Relações Exteriores no Diretório (que ele traiu em prol do Consulado), e no Consulado (que ele traiu em prol do Império) e sob o Império (que ele traiu em prol do novo Rei); Presidente do Governo Provisório, após a queda de Napoleão (que ele ajudou a derrubar); Embaixador, Ministro das Relações Exteriores e Presidente do Conselho de Ministros durante a Restauração (Luís XVIII e Carlos X); Embaixador sob a Monarquia de Julho, após promover Luís Felipe como novo Rei. Assistiu às coroações de Luís XVI (1775), Napoleão I (1804) e Carlos X (1825), traindo cada um deles. E foi o Ministro plenipotenciário da França no Congresso de Viena, salvando seu país (da forma que ainda vamos contar). Um fenômeno de sobrevivência política. O rei da desfaçatez.

Boa semana,
Sávio.