Caros,
O grande poeta Da Costa e Silva, autor de um dos mais belos sonetos da língua portuguesa – Saudade – e autor da letra do Hino do Piauí, tentou entrar na carreira diplomática. Tinha uma inteligência brilhante, mas foi reprovado. Como?
Naquela época, todo candidato tinha de passar por um teste tremendo: uma entrevista com o Barão do Rio Branco. Mas o Barão não aceitou o Poeta. Por quê? Rio Branco:
“Olha, o senhor é um homem inteligente, admiro-o como poeta, contudo não vou nomeá-lo porque o senhor é muito feio e não quero gente feia no Itamaraty…”
Alberto da Costa e Silva, filho de Da costa e Silva, resolveu ser diplomata e tentar o que o pai não conseguira. Havia ainda a tal entrevista antes da aceitação final. O entrevistador lhe perguntou por que queria seguir a carreira diplomática, ao que Alberto respondeu:
– “Por vingança.”
Vingança, pela injusta negativa contra o pai dele. E a vingança tonou ares geracionais: Alberto da Costa e Silva teve 3 filhos, dois homens, que também se tornaram diplomatas e um mulher, esposa de diplomata. Vingança completa. Para o bem do Itamaraty.
Alberto da Costa e Silva foi um grande africanista, não apenas para entender a África, mas por amor à África. Uma das coisas que mais me impressionaram foi a sua afirmação de que a Casa Grande é uma criação africana. Mais expressamente, ele afirmou que a Casa Grande veio da Senzala. Como assim?
Claro. As casas europeias não tinham alpendre, ou varanda. Até por uma questão de clima. Mas as casas africanas tinham. A Casa Grande se rendeu.
Abraços,
Sávio.