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Em 1803, Talleyrand adquiriu o belíssimo Château de Valençay: era um local particularmente apropriado para receber dignitários estrangeiros, e Talleyrand fez dele sua principal residência até a sua morte em 1838. Lá ele empregou o renomado chef francês Carême, o primeiro reconhecido não como cozinheiro, mas como chef de cuisine, e mais famoso Chef da história, cognominado “le Chef des Rois, et le roi des chefs“.
Talleyrand tinha também um Hôtel Particulier em Paris, o Hôtel de Saint-Florentin, situado na Place de la Concorde, que ele adquiriu em 1812. Esse belo palácio foi vendido, em 1838, a nada menos do que o Barão Rothschild, então o homem mais rico da França… Atualmente, o Hôtel de Saint-Florentin é a Embaixada dos Estados Unidos.
No Hôtel Saint-Florentin, em 1814, Talleyrand recebeu os vencedores de Napoleão: o Czar Alexandre I da Rússia, o Rei da Prússia, Frederico Guilherme III, o Imperador Francisco I, da Áustria, e o Duque de Wellington, para negociar a paz na Europa e a restauração da monarquia dos Bourbons na França.
Após suas infinitas transgressões religiosas, morais e políticas, aproximando-se a hora de deixar este mundo, Talleyrand começou a planejar seu retorno à Igreja. Ele, o grande traidor da Igreja na Revolução francesa; ele, que, sendo o Administrador dos bens da Igreja na França, anunciou que sabia como resolver o problema financeiro do país: fácil, bastava tomar os bens da Igreja …
Mas… a Igreja vai acolher Le Diable? Aquele que a traiu tantas vezes e de forma tão ignominiosa? Vai. Vai, pois, como dizia Chesterton, a Igreja Católica é a única instituição que sai em busca dos que erraram, dos que cometeram crimes, não para castigar, mas para perdoar o penitente.
O padre Félix Dupanloup assistiu Talleyrand em suas últimas horas: Talleyrand se confessou e recebeu a Extrema-Unção. Não dá para trapacear na hora da morte; não dá para arriscar perder a vida eterna.
Talleyrand assinou, na presença desse padre, uma declaração solene na qual repudiava abertamente “os grandes erros que… perturbaram e afligiram a Igreja, e nos quais ele próprio teve a infelicidade de cair”.
A Riqueza de Talleyrand – o Castelo: Em 1803, Napoleão ordenou que Talleyrand adquirisse o belíssimo Château de Valençay, ajudando-o a pagar o imóvel. O Castelo de Valençay era um local particularmente apropriado para receber dignitários estrangeiros, e Talleyrand fez dele sua principal residência até a sua morte em 1838. Lá ele empregou o renomado Chef francês Marie-Antoine Carême, o primeiro e o mais famoso Chef da história, conhecido como “Chef des Rois, et roi des chefs“.

Château de Valençay, propriedade de Talleyrand: é aberto à visitação.
Dizia-se que Talleyrand passava um hora, todos os dias, com seu chef de cuisine. A gastronomia foi a maior e mais convincente e mais vencedora arma da diplomacia de Talleyrand.
A Riqueza de Talleyrand – o Hôtel Particulier: Existem em Paris Hôtels Particuliers esplêndidos. O nome pode soar estranho para nós, mas esse Hôtel significa grande mansão, palacete, palácio.
Talleyrand tinha um Hôtel Particulier em Paris, o Hôtel de Saint- Florentin, situado na Place de la Concorde, que ele adquiriu em 1812 e que foi vendido, em 1838, a nada menos do que James Mayer de Rothschild… Atualmente, é a Embaixada dos Estados Unidos (https://paris-promeneurs.com/hotel-de-saint-florentin/ ).
De 1812 até sua morte em 1838, Talleyrand fez dessa sua residência parisiense o centro da vida social e política francesa. Em particular, em 1814, recebeu ali as potências que derrotaram Napoleão, o Czar Alexandre I da Rússia, o Rei da Prússia, Frederico Guilherme III, o Imperador Francisco I, da Áustria, e o Duque de Wellington, a fim de negociar a paz na Europa e a restauração da monarquia dos Bourbons na França.
Na verdade, foi a Duquesa de Dino, sobrinha e herdeira de Talleyrand, quem vendeu o Hôtel ao Barão James-Mayer de Rothschild. Este banqueiro de origem alemã era considerado o homem mais rico da França durante o reino de Luís Felipe.

Talleyrand – o Hôtel de Saint-Florentin, Place de la Concorde
A Reconciliação du Diable: Talleyrand, o grande traidor da Igreja na Revolução francesa; ele, que, sendo o Administrador dos bens da Igreja na França, anunciou que sabia como resolver o problema financeiro do país: fácil, bastava tomar os bens da Igreja para que servissem de lastro aos assignats (papel moeda instituído pela Revolução) … Ele, percebendo que chegava a hora de deixar este mundo, a hora daquele Julgamento do qual ninguém escapa, e contra o qual a esperteza não vale nada, bem, ele quis se reconciliar com a Igreja.
Mas… a Igreja vai acolher quem a traiu tantas vezes e de forma tão ignominiosa? Vai, pois, como dizia Chesterton, a Igreja Católica é a única instituição que vai em busca dos que erraram, dos que cometeram crimes, não para castigar, mas para perdoar os penitentes. Assim, em 16.5.1838 Charles-Maurice de Talleyrand- Périgord assinou uma retratação de seus erros contra a Igreja em uma carta de submissão ao Papa Gregório XVI. E eis que Talleyrand recebeu o conforto dos Últimos Sacramentos: Não dá para trapacear na hora da morte; não dá para arriscar perder a vida eterna.
A morte: Talleyrand faleceu em 17.5.1838, às 15h55, em Saint- Florentin, seu hôtel-particulier. Perto do fim de sua vida, Talleyrand voltou a se interessar pela Religião, enquanto ensinava orações simples à sua jovem neta (sim, esse “bispo” infiel tinha neta). A Duquesa de Dino, sua sobrinha, tem a ver com sua volta à Religião (ainda que Talleyrand seja provavelmente o pai da filha dela, Pauline).
O então padre Félix Dupanloup (futuro bispo e opositor do dogma da Infalibilidade papal) veio a Talleyrand em suas últimas horas e, segundo seu relato, Talleyrand se confessou e recebeu a extrema- unção. Quando o padre Dupanloup tentou ungir a palma das mãos de Talleyrand, conforme prescrito pelo rito católico, ele virou as mãos para fazer o padre ungir o dorso delas, já que ele era… bispo. Ele também assinou, na presença desse padre, uma declaração solene na qual repudiava abertamente “os grandes erros que… perturbaram e afligiram a Igreja Católica, Apostólica e Romana, e nos quais ele próprio teve a infelicidade de cair”.
Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord foi sepultado na Capela de Notre-Dame, perto de seu Castelo de Valençay (imagens abaixo). Depois, seus restos foram levados da cripta para a Capela.

