Notas & Comentários – 05-05-2023

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Saudades da Europa: Sempre achei que tinha a Europa na alma. Queria ir lá todo ano e fui, muitas vezes. Mas a Europa, berço da civilização, que conheci, estudei, visitei, amei, a Europa declina e como que se desfaz. Mas ficou a memória. E é isso que busco rememorar, com base no conhecimento, no estudo, nas visitas e no amor.

O mais belo edifício: Não há nada no mundo que seja, ao mesmo tempo, tão belo, tão brilhante, tão encantador, tão surpreendente, tão solene, tão sublime. Não tem paredes; é como se se sustentasse sobre a luz. A luz o inunda.

É a Sainte Chapelle, Paris.

Sainte Chapelle

Apesar de existir há quase 700 anos, ainda hoje o visitante, fulminado de luz, acha que “entrou num pedacinho do céu”.

O edifício tem dois andares, atingindo uma altura 42,5m, e é visitado por mais de um milhão de pessoas por ano.

E tudo tinha de ser assim, pois a Sainte Chapelle se destinava a receber uma preciosíssima relíquia: a Coroa de Espinhos, aquela que doeu na cabeça de Nosso Senhor.

Foi perfeitamente construída e cuidadosamente decorada em 7 anos. Mas levou 26 anos para ser restaurada, após o descalabro iconoclasta da Revolução Francesa.

A extraordinária Luz que inunda a Sainte Chapelle (ao lado) é um símbolo de Deus – a Luz do Mundo.

E os belíssimos vitrais são um símbolo da Virgem, pois a luz os atravessa sem corrompê-los, nem perturbá -los, só os torna mais brilhantes e mais belos.

Um rei santo e uma santíssima relíquia: Luís IX, mais conhecido como São Luís Rei de França, foi uma pessoa extraordinária em muitos aspectos: um deles foi o da Justiça.

Luís IX

São Luís julgava as demandas e disputas legais sob um carvalho, de forma admirável. Não apenas o povo, mas os nobres e reis recorriam a seu julgamento. Sob São Luís, a Justiça adquiriu a dignidade da
realeza. Por isso, ainda hoje, quando usamos o termo Corte de Justiça, a “Corte” é a de São Luís. Quando nos referimos a Palácio da Justiça, o “Palácio” é o de São Luís.

Luís IX

Salvando as Santas Relíquias: Pois, bem, como Luís IX conseguiu obter a Coroa de Espinhos? Foi assim. À medida que os muçulmanos avançavam no Oriente Médio, e na Ásia Menor, os cristãos iam levando suas relíquias para mais longe. Constantinopla era o último refúgio delas, no Oriente. Em 1237, o Imperador franco do Oriente, Balduíno II, enfrentando enormes despesas, sobretudo para fins de defesa, precisa de recursos. Os banqueiros venezianos emprestaram, mas exigiram certas relíquias como garantia do empréstimo. Curioso: não havia garantia maior do que resquícios de santidade. Assim, em 1349, o Rei São Luís intervém, e, para preservar essas relíquias, paga 135 mil libras, ou seja, metade das receitas anuais do seu Reino, obtendo, para sua guarda, a Coroa de Espinhos, e outras Relíquias da Paixão, em especial um fragmento da Verdadeira Cruz. Os venezianos, permitiram que a Coroa de Espinhos fosse para Paris, mas teria de passar, primeiro, por Veneza. A Coroa de Espinhos está em Paris até hoje.

Na imagem acima, São Luís, adornado pelas flores-de-lis, o cetro na mão direita, segura a Coroa de Espinhos com um véu, em respeito à relíquia, sentindo -se indigno de tocá-la.

São Luís resgatou, também, em 1241, uma parte importante da Verdadeira Cruz, a Santa Esponja e o ferro da Santa Lança.

A Translação das Relíquias: O Rei queria recepcionar as relíquias tão logo entrassem em território francês. Assim, dirigiu-se, em 1349, a Villeneuve l’Archevêque, para recebê-las. O cortejo real escoltou a Relíquia por via fluvial até Paris.

A Relíquia da Coroa de Espinhos é exposta na Catedral de Notre-Dame de Paris toda Primeira Sexta-feira do mês, e, na Quaresma, todas as Sextas-feiras. Os fiéis afluem para beijar a Relíquia, coisa que conseguimos fazer algumas vezes.