Notas & Comentários – 13-06-2025 – Apresentação

Caros,

A gente chega a pensar que a mentira e o cinismo são o grande apanágio de nossos tempos, mas não. Sempre foi, em todos os tempos. Apenas ocorre que, agora, há milhões de megafones nas redes sociais para divulgação do cinismo e da mentira. A distância temporal às vezes embaralha as percepções. Mas há outro aspecto. Antes, a mentira parecia mais elaborada, talvez mais envergonhada, e o cinismo parecia mais natural, talvez mais cauteloso, se é que esses adjetivos jamais podem ser válidos a substantivos tão desprezíveis.

Hoje (sempre) a mentira pode chegar como solidariedade, mas é interessante; e o cinismo, com ares de autoridade, mas é autoritarismo.

Falo isso pensando em Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord, inteligência brilhante, grande expoente da Revolução Francesa, inclusive do Diretório e do Consulado, mas também do Império, da Restauração e da Monarquia de Julho…e que conseguiu sobreviver a todos os acontecimentos por meio de manhas, artifícios, ambiguidades, fugas, mentiras e… traições.

Traía sem enrubescer: Era da alta nobreza e ajudou a destruir a nobreza. Foi Bispo e ajudou a proscrever, constranger e perseguir o Clero. Foi eleito deputado pelo Clero aos Estados Gerais e aprovou a cismática Constituição Civil do Clero. Foi o administrador dos bens da Igreja na França, e propôs o confisco dos bens da Igreja: o maior roubo público da história. Foi Ministro no Diretório e ajudou a derrubar o Diretório; Ministro de Napoleão e promoveu a volta dos Bourbons. A sedutora encarnação do mal.

Boa semana,
Sávio.