Notas & Comentários – 04-04-2023 – Apresentação

Caros,

O Livro, tal como concebido por Gutemberg, constituiu a principal forma de adquirir e transmitir o conhecimento durante 400 anos, até que tudo foi alterado pela invenção do telégrafo e da fotografia. O telégrafo trouxe a notícia irrelevante; a fotografia começou a tornar a imagem mais relevante do que a idéia.

Nestas Notas, vamos entrar no século XX, quando fomos submergidos pelo Rádio, a TV e a Internet. E vamos começar com a visão de dois ícones da literatura, Georges Orwell e Aldous Huxley. Eles temeram a mesma coisa; imaginaram, ambos brilhantemente, como nossa vida e nossa liberdade poderiam ser controladas. Ambos temiam que o acesso à informação, ao conhecimento, nos seria negado, a partir de forças diferentes. Um deles errou.

A análise que aqui fazemos advém de um livro genial escrito por Neil Postman em 1985, na Era da TV, mas antes da Internet: Amusing Ourselves to Death (Penguin Books).

Orwell temia aqueles que proibiriam os livros. Já Huxley temia que não houvesse motivo para proibir um livro, pois não haveria ninguém que quisesse ler um. Orwell temia aqueles que nos privariam de informações. Huxley temia aqueles que nos dariam tanto do que queríamos que seríamos reduzidos à passividade e ao egoísmo. Orwell temia que a verdade fosse escondida de nós. Huxley temia que a verdade fosse afogada em um mar de irrelevância. Orwell temia que nos tornássemos uma cultura cativa. Huxley temia que nos tornássemos uma cultura trivial.

No livro “1984”, de Orwell, as pessoas são controladas pela dor que lhes é infligida. Em Admirável Mundo Novo, elas são controladas infligindo prazer. Em suma, Orwell temia que o que odiamos nos arruinasse. Huxley temia que o que amamos iria nos arruinar.

Huxley acertou em cheio. E, quando Postman fez sua análise antológica, ainda estávamos longe da avalanche da Internet…

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