Caros,
A imprensa pressupunha a prensa, a tinta, o papel, os tipos móveis. Itens que parecem banais, mas longe disso. Parece que bastaria pôr os tipos na fôrma, passar uma tinta e pressionar o papel em cima, talvez com um pano, certo? Nada disso. Gutenberg teve de encontrar o ponto ótimo de pressionar o papel, de modo que a impressão saísse uniforme, nítida, límpida. E as tintas existentes não serviam: foi preciso inventar outra, por tentativa e erro, para imprimir. A tinta não podia passar da medida, para não preencher o espaço oco de um ‘a’ ou de um ‘e’…
Tampouco a prensa existente servia. Para imprimir seus livros, Gutenberg teve de adaptar a prensa de parafuso usada para espremer a uva e a azeitona.
O papel que servia para escrever com a pena era demasiado seco para ser impresso. Gutenberg teve de umedecer o papel, mas não podia umedecer demais… nem de menos: teve de encontrar o ponto certo. Descobriu que a melhor maneira era umedecer folhas alternadas e deixá-las pressionadas por algumas horas, o suficiente para permear as outras folhas, mas não tanto que as folhas apodrecessem…
Tudo era novo; tudo era a primeira vez.
Com razão, Gutenberg queria se beneficiar de sua invenção, mas naquela época não havia um sistema de patentes. A única maneira de preservar as descobertas era mantê-las em segredo o mais possível. Mas havia os empregados, havia os sócios. A excitação e o maravilhamento da imprensa foram uma explosão que conquistou a Europa. A imprensa se espalhou por meio de gráficos alemães que se instalavam nas cidades do Velho Continente. Pela primeira vez, a Alemanha foi o centro de uma tremenda inovação: e nunca mais deixaria de ser. Duas das excelências da Alemanha já estavam ali, na invenção de Gutenberg: a mecânica e a química.
A rapidez dos acontecimentos sequer permitiu dar nome mais apropriado às coisas. Um nome de radical grego, p. ex. Assim, a reles prensa de parafuso, que tinha a singela função de espremer uvas e olivas, deu o nome à tecnologia que mudaria a história: a imprensa – la prensa, la presse, the press.
O alfabeto coreano: Um imperador da Coreia, Sejong, imaginou, brilhantemente, uma escrita com um alfabeto de … 28 letras, chamado Hangul (Grande Escrito) para expressar os sons da língua coreana, cujo resultado surgiu aí por 1443-44, quando Johannes Gutenberg estava, já, dando corpo à sua ideia de imprensa com tipos móveis, em Estrasburgo. O alfabeto é algo portentoso; dizia-se que Sejong podia exprimir, por escrito, com seu alfabeto, ‘até mesmo o assobio do vento, o canto da garça, e o latido do cachorro’.
Mas, ao contrário do que lograria Gutenberg, a nova escrita de Sejong não tomou de assalto o Oriente, nem mesmo a Coreia, porque a elite coreana ficou assustada com a ideia de perder a língua chinesa – sim a chinesa, com seus ideogramas, não a deles… Tão relevante era a civilização chinesa. O Hangul só retornou à Coreia a partir de 1945.
Na Europa era diferente. Uma inovação espetacular, como a de Gutenberg, não deixaria de ser implementada por temor de perder uma civilização dominante. Ao contrário, toda a Europa implementaria. Inclusive a dominante.
Gutenberg – parece simples fazer letras: Mas não é. O conceito é uma coisa, a prática, outra: vão surgindo problemas. P. ex., fazer um tipo móvel – uma letra – exige tempo e habilidade no trato do metal. Mas alguém como Gutenberg, criado num ambiente de ourives (consta que seu pai era ourives do Bispo de Mogúncia) e fabricante de medalhas e moedas, consegue fazer uma letra e fazê-la bem. No entanto, todas as letras ‘a’ têm de ser iguais, todas as letras ‘e’ têm de ser iguais; se uma é maior, ou diferente de outra, se uma perninha vai além, se o vazio dentro da letra ‘e’ difere, são detalhes que comprometem a qualidade da edição, torna desagradável a visão da página, desvaloriza o livro. Como assegurar isso? Gutenberg resolveu criando matrizes de letras. Todas as letras resultantes de uma mesma matriz são iguais.
A matriz – matrix – é côncava, tipo fêmea, e ela, por sua vez, é formada por uma letra convexa, tipo macho – a patrix. Quando a matrix se desgasta, ela pode ser derretida e feita outra, a partir da mesma patrix anterior, de modo a manter a letra igual.
Depois, as letras têm de ser justapostas de maneira firme, numa fôrma, de modo que o texto fique justificado, o que requer grande habilidade mecânica, até porque é necessário considerar os espaços entre letras levando em conta que umas letras ocupam mais espaço do que outras (o ‘l’ e o ‘i’ são letras esguias; o ‘m’ e o ‘w’ são letras gordas). A ilustração a seguir ajuda a compreender o processo: primeiro, faz-se a patrix, com a patrix, a matrix (o molde da letra), com uma matrix fazem-se tantos exemplares da mesma letra quando desejado, até o desgaste da matrix.

Gutenberg – a prensa, a tinta, o papel: Parecem coisas óbvias, mas longe disso. Postas as letras (os tipos) na fôrma bastaria passar uma tinta e pressionar o papel em cima, talvez com um pano, certo? Nada disso. Gutenberg teve de usar uma prensa, para imprensar o papel, e fazer com que a tinta das letras ficasse impressa no papel. Aí Gutenberg teve de encontrar o ponto ótimo de pressionar o papel, de modo que a impressão saísse uniforme… Mas teve mais… Para a letra ficar realmente nítida, límpida, com boa definição no papel, as tintas existentes não serviam.
Assim, para imprimir seus livros, Gutenberg teve de adaptar a prensa de parafuso usada para espremer a uva e a azeitona. E teve mais. Teve que criar uma tinta, pelo ancestral método de tentativa e erro, pois a tinta existente tampouco servia para imprimir… E a tinta não podia passar da medida, para não preencher o espaço oco de um ‘a’ ou de um ‘e’… Tudo era novo; tudo era a primeira vez.
O papel que servia para escrever com a pena era demasiado seco para ser impresso. Gutenberg teve de umedecer o papel, mas não podia umedecer demais… nem de menos: teve de encontrar o ponto certo. Descobriu que a melhor maneira era umedecer folhas alternadas e deixá-las pressionadas por algumas horas, o suficiente para permear as outras folhas, mas não tanto que as folhas apodrecessem…
Gutenberg – o segredo: Naquela época não havia patente para invenções. A única maneira de preservar as descobertas era mantê-las em segredo o mais possível. Mas havia os empregados, havia os sócios, havia os que emprestaram dinheiro a Gutenberg para ele passar anos experimentando e descobrindo.
É claro que Gutenberg sabia o valor de suas invenções e é justo que quisesse ter o benefício delas. Só que a excitação e o maravilhamento da imprensa foram uma explosão que conquistou a Europa. Os sócios e capitalistas de Gutemberg entraram na justiça para reclamar direitos; um deles ficou com seus equipamentos. O certo é que a imprensa se espalhou por meio de gráficos alemães que se mudavam e se instalavam nas cidades do Velho Continente. Pela primeira vez a Alemanha foi o centro de uma tremenda inovação: e nunca mais deixaria de ser. Duas das excelências da Alemanha já estavam ali, na invenção de Gutenberg: a mecânica e a química.
A rapidez dos acontecimentos sequer permitiu dar nome mais apropriado às coisas. Assim, a reles prensa de parafuso, que tinha a singela função de espremer uvas e olivas, deu o nome à tecnologia que mudaria a história: a imprensa, la prensa, la presse, the press.